02 Junho 2007
Tem coisa que é legal, tem coisa que é supe-legal.
Na verdade, nem sei direito o que falar sobre o presente.
Ela pegou alguns (dos muitos) momentos felizes da minha trajetória nos Anjos de Prata, e em silêncio fez "o" presente.
Claro que tenho fotos melhores, mais bonitas. Mas ela cuidadosamente colheu as imagens antigas, escaneadas ainda, e "aprontou" das suas, usando momentos mais do que marcantes. São momentos que vão desde o primeiro encontro dos anjos até o momento atual. São cenas que me alegram, me enchem de saudade e de gratidão. Afinal muita coisa mudou em minha vida, a partir da descoberta desse grupo tão especial.
O que Ela não sabe é que não homenageou só a mim, mas a todos os anjos que se mantém unidos até hoje e aos anjos novos que continuam chegando por essas nuvens prateadas.
Obrigada, Vera. Que falar mais? Que você é demais? É pouco, muito pouco.

Bom, o meu presente está no YouTube. Quem diria?
Quer ver? Olha o link aqui!

http://www.youtube.com/watch?v=73GDXGzZ4r0
 
posted by parla marieta at 6/02/2007 03:20:00 PM | Permalink | 4 comentários
PIPA

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posted by parla marieta at 6/02/2007 12:32:00 PM | Permalink | 0 comentários
LUZ

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posted by parla marieta at 6/02/2007 12:23:00 PM | Permalink | 0 comentários
BELEZA

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posted by parla marieta at 6/02/2007 12:22:00 PM | Permalink | 0 comentários
22 Novembro 2006
MINHA RECEITA

MINHA RECEITA
Vera Vilela

Será que você entende
Minha falta de letras
Meu jeito matuto
Meus gestos bruscos
Minha cara rubicunda
Minha voz de menina?

Será que você perdoa
As rimas brancas
As trovas tortas
Os sonetos mancos
As idéias confusas
As prosas esdrúxulas?

Será que você agüenta
Centenas de beijos
Abraços exagerados
Declarações infantis
Cochichos na orelha
Olhares apaixonados?

Cabeça atordoada
Coração disparado
Vida embaralhada
Futuro incerto
Mistura tudo
Acrescenta loucura
E leva pra casa!

22/11/2006 09:52h
 
posted by Vera Vilela at 11/22/2006 10:19:00 AM | Permalink | 0 comentários
07 Novembro 2006
Das idéias
Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais faz que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua...
Mário Quintana
 
posted by Ly Sabas at 11/07/2006 09:06:00 AM | Permalink | 0 comentários
05 Novembro 2006
Coração de Poeta

Coração de poeta


Coração de poeta
é verdadeiro bordel.
Qualquer um entra
dança
sapateia
faz escárnio
picadinho
mofa
cospe
passa o pé
sai batendo a porta.
Coração de poeta
é terra violentada
pela fúria
do amor
aniquilada.
Coração de poeta
clama por caridade
apoio
ajuda
carinho
consolo
piedade.
Coração de poeta
feito náufrago
em ópera trágica
segue em busca
do farol
que o norteie
e transforme
toda dor
em luz
com sua mágica.




Ly Sabas
 
posted by Ly Sabas at 11/05/2006 11:51:00 PM | Permalink | 0 comentários
02 Outubro 2006
índios Tabajaras
Tom e colegas,

Saí atrás deles depois de um toque que o Nassif deu. Recomendo, puxei várias. Pra quem estranhar o nome, saibam que são exemplos do que há de melhor em música instrumental, violão, em nosso país. Quem quiser mando algumas, ou então puxem as MP3. Basta pesquisar como Los Indios Tabajaras, pois eles fizeram sucesso só fora do Brasil - States, Europa, Japão. com 8 milhões de discos vendidos.

Hoje estão com oitenta e tantos anos.

Isto é um Brasil descolnhecido e precioso.

Beto
 
posted by Alberto Carmo at 10/02/2006 10:39:00 PM | Permalink | 0 comentários
30 Setembro 2006
Fada alada

Em meio ao manacá ela baila.
Borboleta sedutora,
bailarina delicada.
Em meio ao manacá baila,
magnífica fada alada.
Ly Sabas
 
posted by Ly Sabas at 9/30/2006 10:38:00 AM | Permalink | 0 comentários
Primavera

Não chega de mansinho - faz alarde.
O sinal é dado por maritacas
em sintonia com pardais.
Ly Sabas
22.09.2006
 
posted by Ly Sabas at 9/30/2006 09:47:00 AM | Permalink | 0 comentários
04 Abril 2006

A Saga de Catende

Capítulo Três - Cotidiano Agreste



O Oratório foi trocado por um quarto normal, dividido com as primas, não mais com santos enormes de olhos de vidro.

Construído sobre um barranco, o casarão de Catende tinha muitos aposentos nos seus altos e baixos, formado por duas partes unidas em uma escadaria. Na de cima ficavam os ateliês, onde as mulheres costuravam para a família e o sustento, com grandes máquinas de bordar em cairel.

Havia também uma enorme cozinha desativada e os chamados quartos dos mortos, trancados, com suas camas, colchões e fantasmas, onde ninguém podia entrar, visitados apenas pelo pó.

Mas o coração palpitante de tudo era a parte de baixo, ao redor do quarto de Dindinha dando para o enorme banheiro verde, com entrada também para a varanda. Nele, um imenso chuveiro de latão, verdadeira ducha caindo sobre um quadrado de tijolos, formava espécie de piscina tosca que as crianças adoravam. Os banhos eram sempre frios. No sertão de Catende fazia calor e o aquecimento se tornava luxo para doentes. Neste quarto de banhos havia uma privada normal, mas o banheiro auxiliar, ao lado da casa de cima, tinha apenas um buraco no chão, cercado por um estrado de madeira.

A menina Helena, acostumada com os confortáveris banheiros da Gávea, na Zona Sul do Rio, tinha pavor de usar este buraco, apontando para um poço interminável. Sorte que no casarão, como em todo interior nordestino, havia um urinol embaixo de todas as camas, usado nas necessidades noturnas e emergências. E também lindas escarradeiras de louça pintada.

Uma vez por semana, o avô Cordeiro, única pessoa a manifestar afeição pela neta, dava a ela dois tostões para comprar coisas na feira. Estas simples moedas eram seu maior tesouro, manifestação de sua individualidade, a possibilidade de algo verdadeiramente seu, não apenas herdado ou adquirido em lote para os agregados da família.

Na feira semanal, alem de alimentos, havia jóias rústicas de couro, artesanais, enfeites múltiplos e água de cheiro em grandes garrafas de vidro, que eram sua paixão. Com estes pequenos mimos sentia-se única, apesar dos vestidos simples, que foram substituindo as lindas roupas trazidas de casa, e das feias alpercatas pretas, iguais para todos. Por causa delas levara uma das reprimendas assustadoras de Dindinha ao acalcanhar a parte de trás que machucava o pé: “Na minha casa não entra mulher de chinelo!”

Nunca soube a razão da ojeriza da avó por eles. Talvez lembrasse um hábito das que viviam na rua proibida, onde ninguém da casa podia passear, personagens da escuridão e segredo das alcovas e dos cochichos infantis.
Talvez significasse para aquela sertaneja forte, um símbolo de preguiça e acomodação, o arrastar ritmado de pés pela casa. Dindinha detestava fraqueza.

A água de cheiro era usada nas poucas festas e as idas ao cinema – uma sala no centro da cidade com apenas a tela e o piano. Na cidade grande já havia cinema falado, mas no interior, ele era mudo, mudissimo, as cenas acompanhadas por um instrumentista que mal sabia batucar as teclas. Foi ele que protagonizou uma das histórias mais curiosas de suas lembranças infantis.

Era sexta-feira da Paixão e, no religioso interior nordestino, o filme tinha que ser sobre a vida de Cristo.

Todos levaram suas cadeiras e se acomodaram para assistir compungidos e excitados, às cenas piedosas. Estavam neste clima de emoção diante dos sofrimentos de Jesus quando, ao chegar à parte mais importante e dolorosa do filme, a cena em que o Cristo era colocado na cruz, o pianista, já sem repertório e confuso sobre o que tocar para combinar, atacou da carnavalesca:.

...o tatu subiu no pau, é mentira de ocê...

Foi um susto e depois gargalhada geral. Mas o pobre continuou contratado.


Não devia ser fácil arrumar outro naquele distante sertão.
 
posted by Helena at 4/04/2006 04:56:00 PM | Permalink | 3 comentários
26 Março 2006

A Saga de Catende

Capitulo Dois – O começo e o fim do mundo


Para a menina criada na cidade, com obrigações, horários e pais cuidadosos, Catende foi a liberdade e o anonimato. Lá não era mais a Helena Augusta, tremendo só de ouvir o nome da alemã Madre Pelaguia ( pelava águias? O que não faria com as crianças? ) e que precisava tomar banho de camisola porque a visão do corpo nu era pecaminosa. Verbotten.

Em Catende as crianças iam juntas ao açude e não havia vigias de comportamento, exceto para as regras impostas por Dindinha aos moradores da casa. Uma delas era o ofício diário de alguma obrigação no serviço caseiro “ trabalho de criança é pouco, mas quem não aproveita é louco” dizia ela com, sua filosofia de interiorana criada na dureza.

De resto, era o se perder no anonimato, como mais um dos inúmeros netos, sobrinhos e afilhados que orbitavam o casarão. Ninguém vinha conferir, na enorme mesa de madeira das refeições, se comera o tanto para sobreviver, ou se engordara mais do que seria agradável ao olhar da mãe elegante. Era livre para bordejar pelos arredores da Usina e da cidade, sem peias ou cuidados.

Quando, finalmente, após restaurar a fortuna perdida, vieram busca-la, não conhecia mais aqueles dois estranhos bem-vestidos e carinhosos que tinham sido um dia seu pai e sua mãe.

Mas durante este tempo, aprendeu muito: sobre solidariedade sertaneja, dureza de caráter, trabalho constante, fartura e miséria, seca e chuvas abençoadas, a importância da água, ciúmes, fofocas e tudo que faz o caldeirão da vida no interior nordestino.

Tremeu com medo de Lampião que duas vezes avisou de sua passagem pela cidade – significando o terror, o saque, autoridades acovardadas e histórias apavorantes sobre estupros e maldades inconcebíveis. Por sorte, o cangaceiro desviou seu caminho para outras paragens e dele conheceu apenas as lendas.

Mas viu algo que jamais iria esquecer.

Semanalmente, Dindinha preparava alimentos para distribuir aos muitos pobres da região. Tudo era arrumado na mesa grande da sala e um dos moradores era designado para a tarefa de intermediário entre a caridade dela e os famintos. Eles faziam fila diante da porta, barrigudos, rodeados de filhos, alguns ainda dentro da barriga e, um por um, subiam a escada até a varanda, onde recebiam sua cota de laranjas, bananas, pão, etc.

Não era cargo disputado porque tarefa cansativa e tediosa ficar na porta da sala, distribuindo os alimentos. Mas havia dias em que se tornava ainda mais desagradável e até apavorante.

Estes novos desvalidos eram de uma classe assustadora e alimentá-los significava manter portas e janelas trancadas enquanto o encarregado da distribuição se limitava a colocar os alimentos fora do portão para que fossem apanhados.

Os temidos leprosos, ou morféticos, como eram ainda chamados em Catende.

No dia marcado, enquanto o povo se enclausurava, eles vinham pela estrada cobertos de andrajos, batendo a matraca para avisar da sua chegada, sabedores do nojo e horror que despertavam na população. Batiam um pau no outro – tlec ,tlec, tlec enquanto percorriam a cidade deserta recolhendo as doações.

Escondida, espiando pelas frestas, ela viu a imagem que lembrava os livros de catecismo do colégio. O grupo de infelizes doentes e miseráveis desfilando seu bloco infernal pela cidade sitiada pelo medo, ao som surdo dos seus tlecs, tlecs, tlecs anunciadores de que a vida não é bonita.

Mas Catende seria sempre isto – aprendizagem sobre o Bem e o Mal. Lição de contrastes.
 
posted by Helena at 3/26/2006 10:56:00 PM | Permalink | 3 comentários
24 Março 2006
ESTAVA ANDANDO POR AÍ
ESTAVA ANDANDO POR AÍ

Estava andando por aí,
Em passos lentos, cabeça ao léu
Uma pedra cartulinho no meio do caminho
Me derrubou e me deixou a ver o céu.

Era noite, das traições e dos apuros,
Pirilampos esvoaçantes e cantantes zumbis;
Almas penadas vagando em procissão, agoniadas,
E eu, sozinho, andando por aí.

Fogos-fátuos iluminando as estrelas;
A lua nova fazendo seresta ao saci;
Sapo engolindo cobra em convescote de sogra
E eu, parvo, andando por aí.

Disse-me a coruja: – Tire a pedra do caminho
Antes que outro alheado possa tropeçar e cair.
Peguei a pedra, triunfal. Surpresa! Era a pedra filosofal!
Meti-a no bolso e sai andando por aí.

Passei no sítio do compadre Beto Carmo
No colo da Mildred estava ele a dormir;
Toquei silente em seu ombro um tanto dormente,
E sorrateiro saí andando por aí.

Na urbe paulista dei de cara com a Fernanda
E a Leila Barros, ambas a conversar e a sorrir.
Dei-lhes um axé em passe mágico e de fé,
E depois saí andando por aí.

Clarice e Vera esperavam, ansiosas, a Emília
Tomar posse em seu novo cargo na prefeitura de Unaí;
Dei-lhes um sonoro beijo e saí num relampejo,
Sem destino e andando por aí.

Aos pés do Cristo o poeta Argento declamava
Seus poemas para Márcia, Maria Helena e Leny;
Fiz-me em verso e os quatro envolvi discreto
E lentamente sai andando por aí.

Luiz Eudes e Marcão reunidos no Mercado Modelo,
Tomavam um trago de Januária no caju ou cambuí;
Zé do Mato eu não vi; chorei os prantos, dei a do santo e parti,
Contrariado, andando por aí.

Peguei um barco e atravessei os sete mares
Levando ao Jota dúzia e meia de açaí;
Dei-lhe um abraço e retornei no mesmo barco,
E em terra firme saí andando por aí.

Na Amplidão alguns anjos reunidos se indagaram:
– Que é aquela constelação a se mover e a reluzir?
– Não é constelação – disse um sábio alquimista ancião.
– É Tom e seus amigos de ouro andando por aí.

Maceió, tarde de 06 de janeiro de 2005.
Ronaldo Torres
 
posted by Tom at 3/24/2006 07:44:00 PM | Permalink | 2 comentários
EPÍGRAFE
EPÍGRAFE

Aqui navegam amigos de ímpar marinhagem
Em cristalino oceano de calmaria poética,
E, tendo o desvelo da poesia em dialética,
Não falam, dos homens, a mesma linguagem.

Como lobos-do-mar quando em seguros portos
Recolhem suas âncoras aos mares em abrigos,
Na solidão noturna buscam por ombros amigos,
Para contar as aventuras nos abismos brumosos,

Assim é este sítio, lar de afeto, abrigo seguro
Dos garimpeiros da Língua, ecléticos literatos,
Em metáfora utópica de poetas intimoratos,
Na aurora diáfana de ventos em bom augúrio.

Cantemos a vida como a Primavera em flor;
Árvore outonal, seiva e frutos concebidos
Nos louvores eclesiais do Tom e Amigos,
Em sua simbiose aspergida de suave frescor.
 
posted by Tom at 3/24/2006 07:42:00 PM | Permalink | 1 comentários
17 Março 2006
Bom dia, bloguistas!
Bom dia bloguistas!

O momento passou por mim
e não o vi
tão preocupado estava com o Futuro.

O momento alertou-me:
- estou aqui!
e já vou indo, pois não duro.

O momento passou mil vezes
e mil foram os seus chamados
mas eu, cego, não vi que Futuro
não eram mais do que os momentos passados.

Efeitos da leitura de Pessoa, está à vista!
Tenham um excelente dia!
Façam o favor de ser felizes!
Jota
 
posted by Jota at 3/17/2006 07:11:00 AM | Permalink | 2 comentários